A memória tem o meu peito em pedaços. Rezo para que os teus olhos sejam os primeiros a irem-se, a forma como ficava quando sorrias, a forma como abria e fechavam. E então o teu nariz, cada respiração contra o meu pescoço, os teus lábios, e cada promessa vazia que foi feita e dita. Por favor desvanece-te para escuridão.
Por que cada olhar e cada respiração, cada beijo, ainda me deixam à beira da morte. Ainda choro por ti. Está na altura de quebrar o meu cérebro do meu coração e alma. Os meus joelhos estão gastos e quentes, mas Deus é frio. Já me disseram que um dia irei saber que demasiado paraíso é um pecado. Depois do espetáculo, é só o inferno que resta, por isso, vai devagar deixa o tempo curar tudo.
Nunca mais quero voltar a olhar nos teus olhos. Não, nunca mais quero ouvir-te respirar. Dizem que o tempo voa, mas os pesadelos regressam. Amor, diz-me que chegamos ao fim. Deseja-me o melhor. Desejo-te o pior.

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